No cenário governamental e corporativo moderno, a exigência por conformidade com a LGPD nunca foi tão alta, mas as lacunas de governança e os riscos cibernéticos continuam paralisando operações estratégicas. O motivo por trás desse descompasso raramente é a falta de normas, mas a falta de sintonia: de um lado, o Encarregado pelo Tratamento de Dados Pessoais (DPO) tenta implementar controles de forma isolada; do outro, a Alta Administração toma decisões sem visibilidade do fluxo real de informações sensíveis. Essa atuação isolada cria pontos cegos perigosos e dificulta o cumprimento de exigências normativas cruciais, como as diretrizes do Programa de Privacidade e Segurança da Informação (PPSI).

Para transformar essa dinâmica, uma nova pesquisa demonstrou o impacto prático do Inventário de Dados Pessoais (IDP) como uma ferramenta de gestão e tomada de decisão. Ao analisar a maturidade dos 13 ministérios integrantes do ColaboraGov e a operacionalização via sistema ColaboraDap, o estudo conectou a conformidade técnica da LGPD diretamente à governança do núcleo decisório.

Os impactos práticos dessa abordagem trouxeram lições valiosas para a gestão pública. A pesquisa comprovou que a atuação isolada do DPO é insuficiente e que o engajamento ativo da liderança é o verdadeiro divisor de águas para garantir patrocínio político, suporte orçamentário e avanço real na conformidade. Além de atuar na mitigação de riscos cibernéticos em ambientes compartilhados, a estruturação do IDP via ColaboraDap demonstrou ser o caminho para elevar os indicadores institucionais de maturidade e governança (iBase, iSeg e iPriv) avaliados pelos órgãos de controle.

A grande mensagem para o setor público é clara: a proteção de dados pessoais não pode ser tratada como mera burocracia cartorial ou tarefa exclusiva da TI. Integrar a gestão da privacidade às decisões da Alta Administração otimiza recursos, fortalece a postura de governança e garante a confiança do cidadão no Estado.

Como a sua organização hoje mede a maturidade real da governança de dados? A gestão da privacidade já chegou à mesa da Alta Administração ou ainda opera em silos operacionais?

Ficha Técnica da Pesquisa

Pesquisadora: Lucilene Ferreira da Silva Lopes

Orientadora: Profa. Dra. Virgínia de Melo Dantas Trinks

Programa: Especialização em Privacidade e Segurança da Informação (PPEE/UnB em parceria com o MGI)

Iniciativa: LabRisk

Publicado originalmente no site do LabRisk.