Acabo de ver a notícia de que a OAB está pedindo ao CNJ para suspender a obrigatoriedade da MFA no PJe. Implementar MFA não é apenas tecnologia, é cultura, processos e comunicação.
Ele é imprescindível. Reduz-se o risco de contas comprometidas, acessos indevidos, fraudes e ataques de engenharia social. É uma camada essencial de defesa no mundo digital.
Mas… não basta “virar o botão” de um dia para o outro. Como a própria OAB destaca: “A transição … deve ocorrer de maneira gradual, com infraestrutura estável e suporte técnico adequado.”
Na minha visão, a implementação deve vir em fases, pois permite ajustar infraestrutura, fluxos de suporte, dispositivos e canais de comunicação antes da mudança total.
Dá tempo para educar os usuários, explicar o “porquê”, mostrar os riscos reais (por exemplo: se a minha conta for invadida, que dano posso ter? acesso a processos, dados sensíveis, reputação). Reduz resistência. Usuários que entendem “o que ganho” e “o que perco” se engajam melhor.
Minimiza impacto operacional: falhas de login, suporte lotado, atrasos processuais… a notícia mostra que essas questões não são abstratas.
Como comunicar o risco para que o usuário perceba?
* Use exemplos concretos: “Se meu e-mail/spam/credencial for roubado, podem peticionar sob meu nome, adiar prazo, gerar dano à reputação.”
* Mostre o cenário “antes” e “depois” : sem MFA vs. com MFA, qual o nível de proteção ganho.
* Seja transparente sobre impacto e mudanças: “Você precisará usar app autenticador/código SMS/token”.
* Dê suporte claro e canais de ajuda — porque, na prática, falhas de usabilidade impactam a adoção.
💡 Minha sugestão de abordagem em fases
Fase 1: piloto voluntário (grupo “avançado” ou “de risco elevado”) + comunicação + treinamento.
Fase 2: obrigatoriedade para áreas de alto risco + suporte intensivo + monitoramento de feedback.
Fase 3: obrigatoriedade geral + revisão contínua + porta-voz de “embaixadores” internos (usuários que aderiram e contam como foi).
Fase 4: avaliação e ajustes, tratar exceções, melhoria contínua.
Por fim, o MFA é sim, obrigatório para proteger privacidade e segurança. Mas não é apenas tecnologia: é mudança cultural, gestão de mudança, educação de usuários e experiência do usuário. E, como a notícia mostra, quando não consideramos todos esses fatores, o resultado pode ser resistência, falhas de acesso e impacto operacional.
Link da notícia OAB: https://www.migalhas.com.br/quentes/443878/oab-solicita-ao-cnj-suspensao-da-autenticacao-multifator-no-pje














